UM DOMINGO DE CHUVA FINA NO LITORAL

Tempo nublado.

* Fotos – Casciano Vidal

Um dia abençoado, como diz o sertanejo do Nordeste, diferente do caiçara do litoral, que deseja o sol.

A chuva cai desde a noite passada. É constante.

Bom para refletir sobre o que se deseja da vida.

Na madrugada, chove mais forte, chuva barulhenta, e de manhãzinha, a chuva cai fina como a neblina, silenciosa.

O clima é ameno, a temperatura gostosa e os ventos brandos em leve brisa.

A terra molhada solta seus cheiros próprios, misturados com as sensações voláteis do cheiro da mata úmida, do perfume do campo e das flores do jardim.

Mata úmida.

O barulhinho bom das ondas do mar, quebrando na praia, é intermitente, cortado em breves momentos, pelo som do canto dos passarinhos, que, no conjunto, transmite alegria e uma paz infinita.

São passáros-pretos, azulões, bem-te-vis, canários selvagens, rolinhas, rouxinóis, sanhaçus, sibites e um bando de tetéus, que, sempre, chega de tardezinha, entrando na sinfonia.

 Tempo de amar!

A sintonia perfeita que a mãe natureza nos dá de presente!

Tempo de agradecer!

Tempo de harmonia!

Tempo de paz!

Tempo para amar!

Viver a vida com amor!

É por aí!…

Casciano Vidal

Para falar com o autor: cascianovidal@gmail.com

LAVA JATO AJUDA A DESMONTAR MECANISMO DE EXPLORAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA

José Padilha dirige filme sobre a Lava Jato. * Foto – Internet – Monica Imbuzeiro – Agência O Globo

Tese é defendida em texto que o jornalista e cineasta José Padilha, diretor de Tropa de Elite, publicou no Blog do Noblat / O Globo.

O texto de José Padilha foi compartilhado pelo procurador da República, Deltan Dallagnol, da Força Tarefa da Lava-Jato, em seu perfil do Facebook e ganhou vários compartilhamentos voluntários.

É uma análise sobre o “Mecanismo de Exploração da Sociedade Brasileira.”

“A importância da Lava-Jato Vinte e sete enunciados sobre a oportunidade de desmontar o mecanismo de exploração da sociedade brasileira.

1) Na base do sistema político brasileiro, opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do Estado e grandes partidos políticos. (Em meu último artigo, intitulado Desobediência Civil, descrevi como este mecanismo exploratório opera. Adiante, me refiro a ele apenas como “o mecanismo”.)

2) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no Legislativo, no Executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

3) No Executivo, ele opera via superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e às empresas estatais.

4) No Legislativo, ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.

5) O mecanismo existe à revelia da ideologia.

6) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.

7) Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

8) No sistema político brasileiro, a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.

9) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele têm poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.

10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que têm valores incompatíveis com a corrupção tendem a ser eliminados do sistema político brasileiro pelo mecanismo.

11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.

12) A maioria dos políticos brasileiros tem baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)

13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em xeque o funcionamento do mecanismo.

15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.

16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.

17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o Estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.

18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.

19) Embora o mecanismo não possa conviver com um Estado eficiente, ele também não pode deixar o Estado falir. Se o Estado falir o mecanismo morre.

20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos de ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal…

21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)

22) A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes, rígida, competente e com bastante sorte.

23) Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças politicas e jurídicas contrárias são significativas.

24) O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

25) O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

26) Sem forte mobilização popular, é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

27) Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo.”

Ótimas as percepções de José Padilha sobre a realidade brasileira!

Isso é bom para o Brasil!

É por aí!…

Casciano Vidal

PS. Para falar com o autor: cascianovidal@gmail.com

LAVA JATO AJUDA A DESMONTAR MECANISMO DE EXPLORAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA

José Padilha dirige filme sobre a Lava Jato. * Foto – Internet – Monica Imbuzeiro – Agência O Globo

Tese é defendida em texto que o jornalista e cineasta José Padilha, diretor de Tropa de Elite, publicou no Blog do Noblat / O Globo.

O texto de José Padilha foi compartilhado pelo procurador da República, Deltan Dallagnol, da Força Tarefa da Lava-Jato, em seu perfil do Facebook e ganhou vários compartilhamentos voluntários.

É uma análise sobre o “Mecanismo de Exploração da Sociedade Brasileira.”

“A importância da Lava-Jato Vinte e sete enunciados sobre a oportunidade de desmontar o mecanismo de exploração da sociedade brasileira.

1) Na base do sistema político brasileiro, opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do Estado e grandes partidos políticos. (Em meu último artigo, intitulado Desobediência Civil, descrevi como este mecanismo exploratório opera. Adiante, me refiro a ele apenas como “o mecanismo”.)

2) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no Legislativo, no Executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

3) No Executivo, ele opera via superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e às empresas estatais.

4) No Legislativo, ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.

5) O mecanismo existe à revelia da ideologia.

6) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.

7) Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

8) No sistema político brasileiro, a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.

9) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele têm poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.

10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que têm valores incompatíveis com a corrupção tendem a ser eliminados do sistema político brasileiro pelo mecanismo.

11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.

12) A maioria dos políticos brasileiros tem baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)

13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em xeque o funcionamento do mecanismo.

15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.

16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.

17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o Estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.

18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.

19) Embora o mecanismo não possa conviver com um Estado eficiente, ele também não pode deixar o Estado falir. Se o Estado falir o mecanismo morre.

20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos de ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal…

21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)

22) A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes, rígida, competente e com bastante sorte.

23) Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças politicas e jurídicas contrárias são significativas.

24) O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

25) O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

26) Sem forte mobilização popular, é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

27) Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo.”

Ótimas as percepções de José Padilha sobre a realidade brasileira!

Isso é bom para o Brasil!

É por aí!…

Casciano Vidal

PS. Para falar com o autor: cascianovidal@gmail.com

TEORI SEPULTADO, FICARAM AS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO NAS MÃOS DE CÁRMEM

 

Cármem Lúcia. * Foto – Internet – TRF4 – Divulgação.

Acaba hoje o luto oficial de 3 dias, pela morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal – STF. Ele era o ministro-relator da Operação Lava Jato, que investiga o escândalo do maior esquema de corrupção e distribuição de propina do planeta em toda história da humanidade.

Nesta segunda-feira, a ministra Cármem Lúcia, presidente do STF, deve anunciar as primeiras providências do Supremo para a substituição do relator.

É a maior batata quente que alguém poderia ter nas mãos nestes dias de conturbação política, social e penitenciária do país.

Há possibilidade legal do substituto ser sorteado entre todos os ministros da mais alta Corte Jurídica do país.

Mas há também, legalmente, a possibilidade da presidente usar as prerrogativas do cargo para dar prosseguimento ao processo, com a aprovação do Acordo de Leniência do Grupo Odebrecht e até a quebra do sigilo do processo.

O problema é muito grave e exige uma solução muito forte.

Teori está sepultado, mas as teorias da conspiração estão aí, baseadas em fatos reais, como o detalhe do avião do acidente estar sendo seguido desde o dia 3 de janeiro, período em que sua ficha técnica ehistórico de vôos foi consultada mais de 1.884 vezes no sistema que controla a atividade aérea no país.

Caso não avoque estas duas decisões para si, usando das prerrogativas do cargo de presidente, Cármem causará grande frustração para a nação brasileira e poderá jogar a opinião pública contra o STF.

Pior: parecerá convenivente com o jogo brutal dos políticos que desejam enterrar a Lava Jato.

Hoje o STF precisa de uma mulher forte!

Que use o instinto materno para defender o país, as instituições e o povo brasileiro.

E que Deus lhe proteja presidente Cármem Lúcia!

É por aí!…

Casciano Vidal

PS. Para falar com o autor: cascianovidal@gmail.com

 

ENTRE O BEM E O MAL, VERDADES E MENTIRAS

Há dias afirmei que a internet é o lugar onde o mal se mistura com o bem. Hoje preciso acrescentar que entre o mal e o bem há mentiras e verdades. Mentiras do bem e do mal. Verdades do bem e do mal.

Nossa terra está vivendo um processo que busca, em essência, estabelecer uma nova democracia, a democracia da verdade. Mas qual verdade? A verdade dos governantes? A verdade dos parlamentares? A verdade dos julgadores? A verdade da população?

Desejamos, todos nós, acima de tudo, honestidade dos gestores públicos, dos governantes e dos políticos. Porque acreditamos que com honestidade é possível fazer uma Nação mais forte, desenvolvida e próspera dentro de uma ordem estabelecida.

E sobre a verdade, os filósofos gregos nos deixaram ótimos ensinamentos.

Platão, numa de suas obras, registra que a verdade se aplica ao objeto, depois ao sujeito e depois ao enunciado. E cita, em Cratilo: “Verdadeiro é o discurso que diz como as coisas são; falso é o que diz como elas não são”.

Para Sócrates, a verdade é a sabedoria humana. A verdade seria dos sábios, mesmo assim, seria arriscado ser sábio na verdade. E dizia: “É, em realidade, arriscado ser sábio nela: mas aqueles de quem falávamos ainda há pouco seriam sábios de uma sabedoria mais que humana, ou não sei que dizer, porque certo não a conheço.” Mesmo assim, a verdade poderia não estar com os sábios, mas com o homem comum, que acredita saber alguma coisa. Ele tem sua verdade, como eu tenho a minha verdade e você tem a sua verdade.

Aristóteles, pregava que a verdade era ligada ao ato de dizer. Portanto, não existiria verdade sem enunciado. Ele dizia que a verdade estaria no pensamento ou na linguagem, e não no ser ou na coisa. Outra premissa dele é que a medida da verdade e sua confirmação, é exterior, à própria verdade dita.

É célebre a frase dele que afirma: “Negar aquilo que é, e afirmar aquilo que não é, é falso, enquanto afirmar o que é e negar o que não é, é a verdade.”

Saindo dos gregos, Nietzsche deixou registrado que a verdade é “Um exército móvel de metáforas, de metonímias, de antropomorfismos, numa palavra, uma soma de relações humanas que foram poética e retoricamente intensificadas, transpostas e adornadas e que depois de um longo uso parecem a um povo fixas, canónicas e vinculativas: as verdades são ilusões que foram esquecidas enquanto tais, metáforas que foram gastas e que ficaram esvaziadas do seu sentido, moedas que perderam o seu cunho e que agora são consideradas, não já como moedas, mas como metal.

A verdade é formada pela cultura, a informação, a percepção e o discernimento.

E, neste momento político da pátria, cada lado tem uma verdade. São muitas alternativas para o que é de vera.

Cabe-nos, portanto, escolher o que queremos perceber como verdade.

É por aí!…

Casciano Vidal